sexta-feira, 4 de novembro de 2016

O Navio Negreiro, Um Dos Poemas Mais Emocionantes De Castro Alves


Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa… chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto!…
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança…
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!…
Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! … Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!

resuminho dos livros sugeridos para estudos para o vestibular da ufgd :]

Retirada da laguna livro

Resumo: Este artigo apresenta a obra literária de Visconde de Taunay, como um relato de viagem, apresentada durante a Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai. Neste presente estudo procuro apresentar sistematizando a experiência da viagem em um lugar desconhecido, escrevendo uma nova imagem do Brasil e reafirmando essa escrita como documento literário que cada viajante construiu através dessas viagens.

Águas-Manoel terra

          Desde o começo dos tempos águas e chão se amam. Eles se entram amorosamente E se fecundam. Nascem formas rudimentares de seres e de plantas Filhos dessa fecundação. Nascem peixes para habitar os rios E nascem pássaros para habitar as árvores. Águas ainda ajudam na formação das conchas e dos caranguejos. As águas são a epifania da Natureza. Agora penso nas águas do Pantanal Nos nossos rios infantis Que ainda procuram declives para correr. Porque as águas deste lugar ainda são espraiadas para o alvoroço dos pássaros. Prezo os espraiados destas águas com as suas beijadas garças. Nossos rios precisam de idade ainda para formar os seus barrancos Para pousar em seus leitos. Penso com humildade que fui convidado para o banquete destas águas. Porque sou de bugre. Porque sou de brejo. Acho que as águas iniciam os pássaros Acho que as águas iniciam as árvores e os peixes E acho que as águas iniciam os homens. Nos iniciam. E nos alimentam e nos dessedentam. Louvo esta fonte de todos os seres, de todas as plantas, de todas as pedras. Louvo as natências do homem do Pantanal. Todos somos devedores destas águas. Somos todos começos de brejos e de rãs. E a fala dos nossos vaqueiros carrega murmúrios destas águas. Parece que a fala de nossos vaqueiros tem consoantes líquidas E carrega de umidez as suas palavras. Penso que os homens deste lugar são a continuação destas águas.

Cantos de terra

As ilustrações de "Cantos de Terra", são marcadas pela originalidade. É um diferencial. "Os traços de Fernando Uzeda tentam reproduzir o ambiente onírico de "Índia Velha", projetam sombras mágicas nos personagens de "Juana e o Boiadeiro", prenunciam com etéreo lirismo os "Cantos de Juana", explodem em simbolismo em "O Menino e o Papagaio", até despedir-se em curvas fluidas como o vento entre A Lua e a Cidade e o Cantar dos Ventos...".Emmanuel Marinho é poeta, ator e educador, nascido em Dourados. Tem formação acadêmica em Psicologia e pós-graduação em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Publicou os livros: "Ópera 03" (1980); "Cantos de Terra" (1982); "Jardim das Violetas" (1983); "Margem de Papel", (1994); "Satilírico", (1995), "Caixa de Poemas", (1997) e "Caixa das Delícias", (2003). Na música, Emmanuel gravou os CDs "Teré" e "Encantares" (2015), onde reuniu nomes singulares da música brasileira. É criador e intérprete dos espetáculos "Porã", "O Encantador de Palavras", "Satilírico", "Ultimato: O Poema Secreto de S.J.", dentre outros espetáculos solo, com encenação e texto do poeta. O multiartista excursiona, desde 1994, pelo Brasil, América Latina e Europa, sempre com sucesso de público e da crítica.

o fim do homem soviético

Através de "O Fim do Homem Soviético", obra nitidamente de carácter patriótico, Svetlana Aleksievitch relembra uma época bem conhecida da História Russa. Rompendo com os axiomas construídos ao longo do tempo, a autora apresenta ao leitor sentimentos bastante contraditórios relativamente à política de Estaline: apresenta-a, por um lado, como prejudicial para os cidadãos, e por outro considera os seus benefícios. Os contrastes desta abordagem fazem com que, no fim da obra, esteja construído um sentido totalmente abrangente, que leva o leitor, no caso português, a considerar os benefícios da ditadura salazarista ou de outras semelhantes. Uma obra em que o leitor se sente o protagonista de uma história envolvente, que termina com a referência ao "Fim dos Tempos", obra bem conhecida do pintor e musicólogo Messiaen.

refugiados sem fronteiras

Ricardo Bown aborda neste livro o drama dos que são obrigados a fugir de seu país e buscar refúgio onde, muitas vezes, a acolhida vem acompanhada da discriminação e do preconceito. Por meio da narrativa de Lili, uma garota comum que um dia vê se juntarem à sua sala dois refugiados, o colombiano Pablo e o leonês Jeremmy, o autor discute a tolerância cultural e valoriza o diálogo entre as diferenças. Dando voz às experiências de Jeremmy e Pablo, Ricardo Bown discute a importância de valorizar o humano nas sociedades e compreender que todos são semelhantes, independentemente da cultura, do sexo, da cor, da religião e das crenças políticas.



quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Poema de Sete Faces
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

sonho

''Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado.''

Roberto Shinyashiki

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

resenha de capitães da areia

“Amava o sol, a rua, a liberdade”
(AMADO, p. 186)
O romance Capitães da areia, de Jorge Amado,  foi  publicado em 1937. O livro teve a primeira edição apreendida e exemplares queimados em praça pública de Salvador por autoridades da ditadura. A partir de 1944, quando uma nova edição é lançada, entra para a história da literatura brasileira, assim como outros livros do autor, traduzidos para outros idiomas e adaptados para rádio, teatro e cinema.
É um romance modernista, pertencente à segunda fase do Modernismo no Brasil (1930-1945), também conhecida como Romance de 30 ou fase Neorrealista, cuja  narrativa aparece fortemente vinculada às transformações políticas, sociais e econômicas do período.  Pela primeira vez na história da literatura brasileira, um escritor denuncia de maneira panfletária – romântica, e paradoxalmente, socialista e realista – o problema dos menores abandonados e dos menores infratores que  desafiavam a polícia e a própria sociedade. A abordagem romântica deve-se, exclusivamente,  ao fato de o autor minimizar os delitos dos meninos e acentuar os defeitos da sociedade, nem mesmo a Igreja ficou  livre da censura do autor.  Por outro lado, Jorge Amado traz para discussão a problemática desses meninos que não tiveram a felicidade de ter uma família ou a felicidade de ser acolhidos pelo Estado que  tinha  ( e ainda tem)   a  obrigação de defendê-los de qualquer tipo de marginalização. 
Capitães da Areia trata da problemática do menor abandonado e das suas consequências: a violência, a criminalidade, a discriminação e a prostituição. A narrativa  inicia-se com uma sequência de Cartas à Redação do Jornal da Tarde - Carta do Secretário do Chefe de Polícia; Carta do doutor Juiz de Menores; Carta de uma Mãe Costureira; Carta do Padre José Pedro; Carta do Diretor do Reformatório -  a fim de debater as questões referentes a crianças que viviam do furto e infestavam a cidade. São apresentados, logo em seguida, três capítulos: “Sob a lua num velho trapiche abandonado”;  “Noite de grande paz, da grande paz dos teus olhos” ;  Canção da Bahia, “Canção da Liberdade”.

sábado, 27 de agosto de 2016