Retirada da laguna livro
Resumo: Este artigo apresenta a obra literária de Visconde de Taunay, como um relato de viagem, apresentada durante a Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai. Neste presente estudo procuro apresentar sistematizando a experiência da viagem em um lugar desconhecido, escrevendo uma nova imagem do Brasil e reafirmando essa escrita como documento literário que cada viajante construiu através dessas viagens.
Águas-Manoel terra
Desde o começo dos tempos águas e chão se amam. Eles se entram amorosamente E se fecundam. Nascem formas rudimentares de seres e de plantas Filhos dessa fecundação. Nascem peixes para habitar os rios E nascem pássaros para habitar as árvores. Águas ainda ajudam na formação das conchas e dos caranguejos. As águas são a epifania da Natureza. Agora penso nas águas do Pantanal Nos nossos rios infantis Que ainda procuram declives para correr. Porque as águas deste lugar ainda são espraiadas para o alvoroço dos pássaros. Prezo os espraiados destas águas com as suas beijadas garças. Nossos rios precisam de idade ainda para formar os seus barrancos Para pousar em seus leitos. Penso com humildade que fui convidado para o banquete destas águas. Porque sou de bugre. Porque sou de brejo. Acho que as águas iniciam os pássaros Acho que as águas iniciam as árvores e os peixes E acho que as águas iniciam os homens. Nos iniciam. E nos alimentam e nos dessedentam. Louvo esta fonte de todos os seres, de todas as plantas, de todas as pedras. Louvo as natências do homem do Pantanal. Todos somos devedores destas águas. Somos todos começos de brejos e de rãs. E a fala dos nossos vaqueiros carrega murmúrios destas águas. Parece que a fala de nossos vaqueiros tem consoantes líquidas E carrega de umidez as suas palavras. Penso que os homens deste lugar são a continuação destas águas.
Cantos de terra
As ilustrações de "Cantos de Terra", são marcadas pela originalidade. É um diferencial. "Os traços de Fernando Uzeda tentam reproduzir o ambiente onírico de "Índia Velha", projetam sombras mágicas nos personagens de "Juana e o Boiadeiro", prenunciam com etéreo lirismo os "Cantos de Juana", explodem em simbolismo em "O Menino e o Papagaio", até despedir-se em curvas fluidas como o vento entre A Lua e a Cidade e o Cantar dos Ventos...".Emmanuel Marinho é poeta, ator e educador, nascido em Dourados. Tem formação acadêmica em Psicologia e pós-graduação em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Publicou os livros: "Ópera 03" (1980); "Cantos de Terra" (1982); "Jardim das Violetas" (1983); "Margem de Papel", (1994); "Satilírico", (1995), "Caixa de Poemas", (1997) e "Caixa das Delícias", (2003). Na música, Emmanuel gravou os CDs "Teré" e "Encantares" (2015), onde reuniu nomes singulares da música brasileira. É criador e intérprete dos espetáculos "Porã", "O Encantador de Palavras", "Satilírico", "Ultimato: O Poema Secreto de S.J.", dentre outros espetáculos solo, com encenação e texto do poeta. O multiartista excursiona, desde 1994, pelo Brasil, América Latina e Europa, sempre com sucesso de público e da crítica.
o fim do homem soviético
Através de "O Fim do Homem Soviético", obra nitidamente de carácter patriótico, Svetlana Aleksievitch relembra uma época bem conhecida da História Russa. Rompendo com os axiomas construídos ao longo do tempo, a autora apresenta ao leitor sentimentos bastante contraditórios relativamente à política de Estaline: apresenta-a, por um lado, como prejudicial para os cidadãos, e por outro considera os seus benefícios. Os contrastes desta abordagem fazem com que, no fim da obra, esteja construído um sentido totalmente abrangente, que leva o leitor, no caso português, a considerar os benefícios da ditadura salazarista ou de outras semelhantes. Uma obra em que o leitor se sente o protagonista de uma história envolvente, que termina com a referência ao "Fim dos Tempos", obra bem conhecida do pintor e musicólogo Messiaen.
refugiados sem fronteiras
Ricardo Bown aborda neste livro o drama dos que são obrigados a fugir de seu país e buscar refúgio onde, muitas vezes, a acolhida vem acompanhada da discriminação e do preconceito. Por meio da narrativa de Lili, uma garota comum que um dia vê se juntarem à sua sala dois refugiados, o colombiano Pablo e o leonês Jeremmy, o autor discute a tolerância cultural e valoriza o diálogo entre as diferenças. Dando voz às experiências de Jeremmy e Pablo, Ricardo Bown discute a importância de valorizar o humano nas sociedades e compreender que todos são semelhantes, independentemente da cultura, do sexo, da cor, da religião e das crenças políticas.
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